Quando pensamos em “tribos urbanas” – grupos e redes de pessoas com interesses comuns -, uma das coisas que mais define as afinidades entre elas é a música. Por isso, esta semana escolhemos falar dos ESTILOS MUSICAIS: as atitudes, o jeito de vestir e, é claro, os cabelos marcantes dos diversos tipos de música, como rock, samba, hip hop…
Para começar, vamos relembrar uma imagem super legal que já publicamos aqui no blog (é só clicar nela para ver maior):
Poster: Pop Chart Lab
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O primeiro desfile do último dia de SPFW foi o da Neon, realizado no Teatro Tuca Arena da PUC-SP, inspirado na cultura, cores e aromas de Istambul. As famosas estampas ganharam desenhos étnicos e de animais que remetiam à cultura turca. Nas formas, tubinhos, boleros, quadris valorizados por dobraduras e paletós que tinham ombros destacados ou eram combinados a tomara que caia. As cores variaram entre vermelho, vinho, laranja, amarelo, pink, roxo, azul marinho, verde e preto. Entre os materiais, seda, brim, palha, metal, lã bouclé e crepe, Jersey e camurça de lã. No fim, o público foi animado pela bateria da escola de samba Águias de Ouro. A beleza foi criada por Lau Neves, que se inspirou no filme Cleópatra, de 1963, com Liz Taylor. A pele era básica e uniforme, com hidratante, base, corretivo e pó; os olhos eram bem dramáticos, com traços orientais feitos com delineador em gel e lápis pretos, rímel e pigmentos laranja neon, roxo e bege nude. Os cabelos foram feitos por Paulo César Schettini, com formas e volumes quadrados e dramáticos, preparados com sprays de volume e mousse.

Fernanda Yamamoto buscou referência no Renascimento para mostrar uma coleção com motivos inspirados em pinturas do século XV, revelados em tapeçarias e tecidos com fios entrelaçados (jacquard). As formas tinham um clima sportswear, secas, com recortes e fendas retangulares. A alfaiataria veio minimalista e urbana, com recortes combinados a detalhes com canutilhos. As cores partiram das telas a óleo: laranja, vermelho, ouro, azul marinho e preto. A beleza foi feita por Marcos Costa: pele feita com base líquida e iluminador nas têmporas, nariz, testa e acima dos lábios, além de outro mais escuro usado como blush; as pálpebras móveis receberam sombra lilás e cílios postiços ficaram super alongados com máscara; na boca, batom matte. Os cabelos vieram torcidinhos de lado, com muito spray, ou então bem escovados e presos em um rabo baixo nas modelos que recebiam toucas.

A coleção masculina de Alexandre Herchcovitch foi inspirada nas vestimentas dos judeus ortodoxos, combinando-as com elementos esportivos e urbanos. Casacos em náilon e couro com volume, desde boleros até mantôs e trench coats com comprimentos diversos (às vezes com faixas cheias de franjas, como as vestes religiosas) deram o tom do inverno da grife, que também investiu na lã. A estrela de Davi apareceu em texturas e relevos de algumas peças. As calças ganharam nova silhueta, sem serem bermudas nem muito compridas, em diferentes materiais. Entre as cores, preto, branco, cinza e azul. As estampas se estendiam das mangas ou barras de casacos e camisas até a parte debaixo do look. Celso Kamura ficou a cargo da beleza dos meninos, que tiveram a pele hidratada e corrigida, com alguns pontos de iluminador. Os cabelos estavam bem naturais, escovados para a frente com os fios no rosto e finalizados com pomada seca. Quem tinha cabelo comprido apenas os teve escovados para que as mechas ficassem mais para a frente.

A Amapô teve influência das artes plásticas, do livro do coletivo AVAF, dos quadrinhos e de seus próprios estudos e croquis para desenvolver a coleção. Por isso, foram vistas estruturas armadas com tiras nas peças femininas, que deixavam à mostra o underwear e a pele. Jogos de luz e sombra foram criados a partir de faixas de tecidos mescladas a transparências. Para os homens, uma alfaiataria comercial com muitos paletós e calças variando entre skinny e cintura alta bem marcada. Os jeans ganharam lavagens diversas, desde retrô até tons mais brutos com manchas de tinta, e traziam também trabalhos de tressê em tramas e urdumes. A cartela de cores passou por branco, preto e azul, além de estampas multicoloridas desenvolvidas em parceria com Fabio Gurjão. Entre os materiais, denim, jersey, viscose e tricô. Ricardo dos Anjos foi responsável pela beleza: pele com base, corretivo e um blush fazendo o contorno do rosto e outro nas maças, dando toques de brilho. Um iluminador em pó foi aplicado nas têmporas, em cima do nariz, no queixo e acima da boca. Os lábios ganharam apenas hidratante e o olhar teve só as sobrancelhas “ajeitadas” com rímel incolor e muito rímel preto nos cílios. Os cabelos tiveram inspiração punk, com amarrações geométricas.

Encerrando a noite e o São Paulo Fashion Week – Inverno 2012, a grife de André Lima teve inspiração em elementos asiáticos e africanos e mostrou looks sofisticados que misturavam tecidos, texturas e estampas, como o tweed com brilho. Os vestidos tinham camadas de babados, ora volumosos ora estruturados. Na alfaiataria, pantalonas com cinturas marcadas, casacos com recortes, camisas com detalhes nos ombros ou golas, combinadas a saias longas. Nas cores, tons terrosos, laranja, amarelo queimado, ouro e preto. A última beleza do evento foi criada por Robert Estevão. No make, pele com hidratante, base, corretivo, pó usado como iluminador nas têmporas e blush feito com iluminador rosa forte, mais um marrom matte embaixo das maçãs. Os olhos foram esfumados com pigmento roxo no côncavo e na linha dos cílios e outro dourador no centro da pálpebra. Para completar, lápis preto embaixo, muito rímel e sobrancelha marcada. Na boca, batom marrom intenso matte. Os cabelos tinham dois coques banana desfiados e com muito spray de alta fixação, além de mousse para dar volume extra nos fios mais lisos.

Todas as fotos: Agência Fotosite

São Paulo Fashion Week 2007. / Foto: Keiny Andrade – AE
Gloria Coelho deu o pontapé inicial no 5º dia de SPFW, sob o tema “Neutrinos e Vulcões”, trazendo conceitos como velocidade, leveza, improviso e independência. As peças tinham muitos recortes, ênfase nos ombros, bainhas com volume e forros coloridos (laranja, azul, rosa, verde e vermelho) e mistura de tecidos em uma única roupa. Os vestidos revelavam as costas e o colo e ganhavam imagens de paisagens vulcânicas. Tecidos tinham efeito de mil folhas e cristais simulavam partículas solares. Entre os materiais, cetim stretch e de seda, tule, matelassê de crepe de seda, malha de algodão, couro, paetês. Na cartela de cores, gelo, off-white, rosé, camelo, rosa argila, marrom e cinza. O make de Fabiana Gomes teve inspiração futurística, com pele branca, preparada com primer e base (um ou dois tons abaixo da cor natural), corretivo, iluminador nas têmporas e pó transparente. Nos olhos, mistura de sombras prata metálica e prata frost (mais clara) e pouco rímel. Na boca, dois batons aplicados com batidinhas dos dedos: um rosa claro cremoso, quase lilás, e outro vermelho. Os cabelos foram feitos por Ricardo Rodrigues, presos em um rabo baixo, com risca exata, alisado com chapinha e escova, com ajuda de um creme alisador. No fim, um gel em cera deu brilho e um spray de cabelo na cor cinza criou um efeito de luz.

A Maria Bonita pediu licença ao povo do Norte do país – seringueiros, castanheiros, ribeirinhos, boiadeiros – para tomar seus saberes e fazeres como inspiração para sua coleção. Silhuetas minimalistas e retangulares e muitas texturas, além das cores que se inspiraram em tons da natureza (ocre, marrom, verde-musgo), trouxeram o clima da região. Vestidos e saias ganharam canutilhos coloridos, paetês metalizados e peças gráficas em forma de renda, e casacos de lã com feltro tinham detalhes que remetiam a tramas de tapetes. Outros ganharam recortes e bolsos em látex. Celso Kamura aproveitou o tema e criou um make com pele apenas com primer e poucas correções, sobrancelhas e cílios apagados com corretivo, pálpebras com pinceladas do mesmo produtos e boca nude. Fora isso, os pés das modelos foram pintados com spray, como se estivessem sujos de barro. Os cabelos chamaram a atenção: foram escovados e ganharam uma trama artesanal, amarrando os fios enquanto passava uma pomada para prender bem as mechas.

A UMA Raquel Davidowicz mostrou uma coleção esporte minimalista, de ares andróginos, com formas alongadas nos vestidos e mais próximas na alfaiataria. Jaquetas perfecto e nós emaranhados nas cinturas e colos chamaram a atenção. Desfilaram mulheres de idades variadas, em peças em cinza e preto, com pontos de vermelho e vinho. Entre os materiais, malhas, mix de algodões, lã, seda, tricô devorado e efeitos de couro amassado. Marcos Costa fez a pele limpa, com blush bronze, nada nos olhos e batom cobre na boca. Algumas “modelos” convidadas tinham esfumado marrom e preto nos olhos, muito rímel, blush bronze e boca com mistura de dois batons. O cabelo, de Juliana Barbosa, tem textura natural e ar bagunçado, ligeiramente preso com grampos e franja puxada para o lado.

João Pimenta se inspirou no movimento steampunk (subgênero de ficção científica ambientado no passado com tecnologia do futuro) e apresentou uma coleção que resgatou a manufatura de tecidos com técnicas antigas de tear manual. Calças, paletós e coletes tinham proporções diversas, e detalhes femininos nas roupas masculinas (como saiotes que eram usados debaixo das saias para dar volume) chamaram a atenção. O couro apareceu prensado com estampas de cobra em casacas e detalhes de paletós. A paleta de cores foi concentrada em tons escuros como marrom e preto, mas teve pontuações de vermelho, amarelo, azul e verde. A beleza foi assinada por Ricardo dos Anjos, que se inspirou em um “médico monstro” com dupla personalidade. A pele veio limpa, hidratada e corrigida; os olhos foram esfumados rente aos cílios debaixo com marrom e preto. Os cabelos variaram: com gel, escovado para trás ou para o lado; arrumadinho e jogado para trás com textura “anitiguinha”; ou com topete.

Encerrando, Lino Villaventura se inspirou na obra de Francis Bacon, com um desfile dedicado à Carmem Mayrink Veiga. Na linha feminina, vestidos opulentos, com tecidos bem trabalhados e ricos em bordados de cristais e linhas coloridas. Faixas tinham recortes que lembravam asas de pássaro e os mantôs tinham um clima oriental. Na linha masculina, alfaiataria com camisas-capa em malhas finas, calças mais soltas e trabalho em nervuras de tecidos. Quem assinou a beleza foi Marcos Costa: pele com base líquida, corretivo, iluminador usado como blush, sobrancelhas apagadas, canto interno dos olhos esfumados de laranja, cílios postiços apenas com curvex e bocas que variavam entre vermelho, vinho e ameixa. Na aplicação, ele passa bastante batom matte no centro da boca e esfuma com uma haste flexível, sem definição. Nos meninos, pele corrigida e pedacinhos de papel seda preto amassados colados no rosto com cola de cílios. Os cabelos das modelos tinham coques torcidinhos baixos, finalizados com spray, que depois recebiam cabeças feitas pelo estilista.


Todas as fotos: Agência Fotosite
Abrindo o domingo no SPFW, a Cavalera desfilou na Estação da Luz sua coleção Cowboys Urbanos. O jeanswear veio bem variado, do mais despojado (lavagem clássica e aspecto corroído) aos mais avançados (imitando couro). O moletom apareceu com fundo branco, coberto por estampas coloridas, texturas, paetês, bordados e recortes. Na alfaiataria, mistura de materiais, como lã e sarja, à transparência das rendas. Os meninos ganharam jaquetas perfecto e as meninas casacos mais curtos. Vestidos transparentes e curtos, com tecidos e texturas mixados, chamaram a atenção. Entre as cores, o preto predominou, com entradas de vermelho, azul, verde-militar e cáqui. A beleza de Robert Estevão teve um clima “Motown”. A pele foi feita com hidratante, corretivo e blush coral. Os olhos tinham delineador preto e rímel e a boca veio laranja com iluminador aplicado por cima com leves “batidinhas”. Os cabelos eram bem armados em cima, em um estilo Amy Winehouse, com um rabo de cavalo baixo e mechas frontais ladeando a cabeça.

Trazer o campo para a cidade foi a proposta da Jefferson Kulig, que misturou romantismo à tecnologia em silhuetas mais soltas. As roupas misturavam materiais – veludo, silicone, tafetá, borracha e sintéticos – e ganhavam estampas geométricas inspiradas em seixos. Vestidos bordados com flores recortadas que tinham efeitos visuais e conjuntos listrados que, na verdade, eram fitas de veludo e silicone contrapostas, foram alguns dos destaques. Na cartela de cores, tons neutros: branco, cáqui, ocre, salmão, preto e rosa. O make foi assinado por Cayo Lanza, com pele natural, com corretivo e sem blush; sobrancelha levemente marcada, pálpebras com um toque de cor no meio, de acordo com cada tom de pele; olhos com muito rímel; e batom rosa. Os cabelos foram feitos por Mario Nova, limpos, lisos e quase sem nenhum produto. O que ele fez dforam toucas com grampos e bobs grandes e, depois, os soltou, repartiu ao meio e jogou para trás da orelha.

A FH por Fause Haten se inspirou em um clima Havaí, especialmente o dos filmes de Elvis Presley nos anos 60. Vestidos decotados tinham drapeados, lembrando saias pareôs, e franjas de pele. Os hibiscos e outras plantas apareciam em estampas e em paetês, e os colares havaianos foram bordados em vestidos ou feitos em estola. Os looks masculinos tinham alfaiataria combinada à moletons e brilho. Entre as cores, preto, prata, verde e uva. Ricardo dos Anjos destacou os olhos em marrom, com pigmento na pálpebra móvel e sombra nos cantos externos, rente aos cílios, além de muito rímel com curvex e lápis preto dentro dos olhos. A pele foi feita depois, com base + hidratante aplicada com pincel de fibra ótica, blush com leve brilho e boca vinho, uma mistura de 3 batons. Os cabelos receberam mousse para efeito molhado e foram jogados para trás.

O filme Viagem a Darjeeling, ambientado na Índia, serviu de inspiração para Juliana Jabour. Casacos variados, justos ou amplos, esquentam a coleção de inverno, em tweed rústico com bordados e brilho do lurex. Os vestidos eram sofisticados, com silhueta anos 20, e bordados com vidrilhos. A alfaiataria foi feita em tecidos como crepe, lã e jacquard metalizado, e tricôs étnicos enfeitavam as peças. As produções monocromáticas se balanceavam com contraposição de texturas e pesos, como camisas soltas com saias arrendodadas, tipo anos 60. As cores davam o clima da viagem: açafrão, amarelo, nude, laranja, preto e cinza mescla. Henrique Martins buscou nos anos 60 as referências para a beleza: pele limpa, hidratada e corrigida com base; sombra marrom rente aos cílios de baixo, cílios postiços e rímel; boca hidratada e batom rosa de acabamento lustre. Os cabelos eram ondulados, com textura natural, presos em meio rabo com um topete alto todo desfiado. Para finalizar, bastante spray no topete.

A Colcci foi a última a desfilar, com Alessandra Ambrósio, grávida, abrindo e fechando passarela, além do ator Ashton Kutcher na primeira fila. O desfile foi mais sofisticado, com jeanswear ganhando recortes em índigo e lavagens diversas para as meninas e clássicas Five pockets e jaquetas nos meninos. O couro apareceu na alfaitaria masculina e em looks femininos, enquanto o tricô apareceu em peças como vestidos, blusas e saias longas e lápis. Casacos de náilon ganharam cara nova. A beleza foi de Robert Estevão: boca super vermelha (resultado da mistura de dois batons), pele hidratada + base + corretivo + iluminador em pó, rímel e sobrancelhas bem marcadas com máscara. Nos meninos, apenas hidratante e corretivo. Eles desfilaram com topete estilo Elvis, com o resto do cabelo jogado para trás; elas, com um coque alto meio soltinho, finalizado com spray.

Todas as fotos: Agência Fotosite