Na última quinta-feira, começou o São Paulo Fashion Week Inverno 2012. A primeira grife a entrar na passarela foi a Animale, que combinou tecidos tecnológicos com cortes elegantes e femininos nas silhuetas em uma coleção inspirada em antigas peças russas. Casacos curtos e longos tinham estrutura próxima ao corpo e vieram em tweed feltrado com texturas, como as incrustradas de pedras. Vestidos tinham cinturas deslocadas em veludo devorê de efeito molhado, artesanalmente corroído. A alfaiataria era minimalista em veludo ou couro, com texturas de pele de cobra. Entre as estampas, coroas e jóias russas e cashmeres bordados de cristais e pérolas. Entre as cores, vermelhos, bege e caramelo. Animaram o desfile as presenças das modelos Rosie Huntington-Whiteley, Izabel Goulart, Aline Weber e Ana Beatriz Barros. A beleza foi de Max Weber, para uma mulher que “não tem medo de se maquiar”. Pele hidratada e preparada + iluminado; boca em rosa pálido realçada com lápis rosa queimado; olhos com cílios postiços, muito rímel, lápis preto cremoso em cima e embaixo com efeito borradinho, corretivo marrom usado como sombra na pálpebra móvel, completado com um gloss. Rosie Huntington-Whiteley teve maquiagem exclusiva de Cris Narvaes, com pequenas modificações, especialmente nos olhos para que não ficassem tão pequenos. Os cabelos foram molhados, finalizados com espuma e presos em coques, que depois foram soltos, para ganhar ondas naturais. Depois, foram secos e separados em três camadas nas entradas, desfiadas uma de cada vez e presas atrás.

Inspirada na lua e nas estrelas, com pegada sportswear, a Tufi Duek desfilou uma coleção com silhuetas inspiradas em foguetes, alongando as formas, com ombros arredondados e leve volume nas barras. Volumes e texturas feitos de costuras com elástico cobriam dorsos de casacos e vestidos. Muito brilho de paetês, aplicações em bordados brilhantes, fios metalizados, couro, gaze, malha e algodão duplos foram alguns dos materiais observados. Entre as cores, verde oliva, cinza metalizado, preto e off-white. Daniel Hernandez foi o responsável pela beleza, com maquiagem leve e natural. A pele foi preparada com um primer e depois ganhou uma base cor da pele. Nos olhos, corretivo e delineador líquido aplicado sutilmente na linha dos cílios, além de rímel bem exagerado e lápis branco no interior do olho. Na boca, batom nude. Os cabelos também vieram com ondas naturais, presos em rabos de cavalo baixos.

A Cori veio na sequência, inspirada no hipismo e na selaria. As formas estavam mais próximas ao corpo, com detalhes amplos, como volumes em punhos e barras de saias lápis. Alfaiataria veio em couro rígido com corte a faca e ganhou recortes e detalhes nas golas e nos ombros. Entre as cores, marrons, mostarda, preto e petróleo, além de imagens de folhas secas nas estampas. O couro aparece bastante com efeitos variados, inclusive em tricô brilhante, alguns com camadas de verniz marmorizado. O make minimalista também foi de Daniel Hernandez: a pele levou hidratante no lugar de primer; os olhos eram geométricos, feitos com sombra marrom cintilante no côncavo, contornos interno e embaixo, além de iluminador prateado no centro do olho e no canto interno; o mesmo iluminador aplicado na boca, em cima de batons rosa + bege; blush rosa cremoso; e glosso nas têmporas e no nariz. Os cabelos foram alisados com chapinha e depois presos em um rabo na altura da nuca, que ganhou fitas de látex ou gel.

A Osklen encerrou o dia propondo uma reflexão sobre a maneira que tratamos o planeta, com reflexões sobre a Agenda 21. A coleção tinha roupas funcionais, como camisas/coletes com capuz e mochilas embutidas. Apareceram também moletons pesados e amplos em corte a fio, vestidos descontruídos e casacos de couro de peixe. As estampas misturam camuflados geométricos e florais psicodélicos, e vêm sobre tricô em algumas peças. Entre as cores, laranjas e azuis vibrantes, além de verde militar, cinza, preto, dourado e marrom. Os materiais variaram entre couro, lã, veludo de seda, chamois, pele sintética, neoprene, moletom e alguns e-fabrics (seda, tricô e gorgurão orgânicos e couros de salmão e pirarucu). A maquiagem de John Stapleton foi natural. Nos meninos, pele limpa e alguns com um risco preto que ia da testa até o queixo; as modelos ganharam as mesmas brincadeiras de texturas das roupas: têmporas e nariz cobertos com gloss e testa, queixo e boca com efeito matte. O cabelo foi desfiado e preso em rabo de cavalo baixo.

Fotos: Agência Fotosite
O primeiro dia do São Paulo Fashion Week Verão 2012 foi aberto pela Animale, que veio inspirada nas praias do sul da França com uma coleção mais leve e artesanal. Os vestidos apareceram em comprimento midi e alguns com assimetria. A alfaiataria veio confortável e chamaram atenção os casacos amplos com pregas nas costas combinados a pantalonas. Nos materiais, tecidos naturais e crochês artesanais, além recortes em formato de flores em paetês e bordados. Nas cores, muitos tons de azul, branco e cinza. Max Weber foi o responsável pela beleza, que teve inspiração romântica, mas sem perder o tom de uma mulher marcante. Para isso, a pele veio cintilante, sem base ou pó, apenas com corretivo nos locais necessários, e o formato do rosto foi realçado com 2 tons de iluminadores e 3 de blush. Boca nude, gloss nas pálpebras e sobrancelha bem marcada com sombra em um tom mais escuro que os pelos. Os olhos e a pela vieram puxados e esticados com um truque: prende-se a ponta de um elástico (do tipo de pasta de escritório) no canto do olho com um durex. Faça isso dos dois lados do rosto e, depois, una as pontas dos elásticos atrás da cabeça, escondendo com os cabelos. Falando em cabelos, no desfile eles vieram soltos e chapados.

Fotos: Agência Fotosite
Em seguida, a Tufi Duek desfilou em clima de arte tribal indígena, que foi traduzida em roupas minimalistas. Brasilidade e texturas foram trabalhadas de forma sofisticada. Tops e vestidos aparecem com toques de pinturas tribais e miçangas, entrelaçados de palha ou feitos em látex em babados. As calças vieram mais justas. Nas cores, preto, laranja, verde e urucum. As modelos vieram como índias, no make de Daniel Hernandez. Os olhos foram inspirados em máscaras, com sombra cinza do canto interno dos olhos até a linha depois da sobrancelha. Quem tinha pele mais escura ganhou boca vermelha em vez dos olhos pintados e sobrancelha marcada. Cabelos super lisos.

Fotos: Agência Fotosite
Samuel Cirnansck apresentou um desfile provocador, com referências em fetiches como sadomasoquismo e clima exuberante, ao som de Lady Gaga. A coleção foi basicamente de festa, com vestidos diversos e combinações de materiais como sedas, couro sintético, bordados, tafetá, látex, entre outros. A cartela de cores transitou por tons de pele e rosados, além de amarelo, off-white e alguns pontos de preto. Para encerrar, vestidos de noiva, com destaque para a atitude: a noiva veio toda amarrada, segurando um buquê de rosas vermelhas nas costas. Nos pés, sapatos em pelica, tela e abotoamento japonês, desenvolvidos em parceria com Jorge Bischoff. O fetiche também apareceu no make de Celso Kamura, que trouxe referências dos punks e dos anos 80 nas cores rosa e preto. Os olhos variavam entre um gatinho geométrico e com côncavo marcado e as bocas vinham ora com purpurina rosa em formato de coração ora rosas metálicas. Nos cabelos, variação entre coques banana com franja estilizada pintada com spray nas pontas e coque redondo com franja longa ondulada. Na passarela, algumas produções ganharam, ainda, mordaças de metal.

Fotos: Agência Fotosite
O dia foi encerrado pela Reserva, com uma visão debochada do estilista Rony Meisler sobre Cuba, que juntava referências da ilha, de militarismo e circo. Peças em alfaiataria traziam cores desgastadas, inspiradas na bandeira do país. Nos tecidos, fibras naturais, linho, tricô, sarja e denim. Destaque para as estampas xadrezes tipo camuflagem, mas com desenhos de hambúrger, queijo e alface. As calças propostas têm ganchos baixos com bolsos grandes os faixas. Shorts com dobra combinados com blazeres longos e macacões com bolsos amplos e cintura deslocada. Celso Kamura também assinou a beleza do desfile, que veio de duas formas. Para os modelos, uma pele bem morena e brilhante, feita com hidratante e base, e cabelo com aspecto oleoso e topete anos 50. Para os atores, bigodes falsos, como uma referência a Fidel Castro.

Fotos: Agência Fotosite